Blog dedicado a Arte, Cultura, Turismo, Lazer e Naturismo com foco inicial na cidade de São Paulo / SP - Brasil.
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Exposição de motivos

Exposição de motivos

                                            


















Há muito tempo me pergunto como podemos ser expostos à visão de obras artísticas públicas, representando pessoas nuas e muitas vezes com genitais bem delineados e ostensivos, se para nós mesmos essa situação é considerada atentado ao pudor. Certa vez li em um livro que o conceito do que é moral ou imoral depende da cultura de cada povo, então, segundo o livro (creio que escrito na década de 60), "no Japão, mulher nua no quadro é imoral, mas mulher nua no parque é moral, enquanto que nos Estados Unidos, mulher nua no quadro é moral, mas mulher nua no parque é imoral". Naturalmente a realidade atual nos dois países não tem muito a ver com essa frase, mas não deixa de ser uma interessante forma de exemplificar como o conceito de conduta moral é relativo.
Com a expansão do Naturismo e sua crescente divulgação, principalmente pela Internet, somadas com a postura um pouco mais tolerante da sociedade civil e das autoridades públicas, era de se esperar um aumento do número de adeptos(as), mas não tenho percebido um grande avanço nesse sentido.
A cidade de São Paulo, uma das maiores metrópoles do mundo, é ponto de encontro tanto de brasileiros de norte a sul, quanto de estrangeiros dos quatro cantos do mundo. Tanto por lazer, mas principalmente à negócios, a cidade recebe inúmeros visitantes anualmente. Embora pareça à primeira vista uma cidade cizuda e fria, São Paulo tem uma grande variedade de ofertas de atividades culturais, de lazer, recreação, etc.
Como se já não bastasse a hipocrisia histórica que herdamos do nosso passado colonial assisti, nos anos 90, o início de uma disseminação silenciosa no município de São Paulo de outdoors divulgando a existência de prostíbulos, sob a denominação de "clubes", mas com um visual que não deixa dúvida sobre quais "esportes" são praticados lá dentro. Esse fato acabou levando moradores de alguns bairros, como a Moóca, a fazerem abaixo-assinados contra a presença desses cartazes espalhados pelos principais corredores viários e à vista de muitas famílias.
O outodoor exibido ao lado, posicionado bem na entrada principal de quem vai do centro da cidade para os bairros da Moóca e Vila Prudente, foi alvo de muitas reclamações e até de denúncia por jornais locais, de que esses cartazes foram fixados diante da conivência de fiscais corruptos, que estariam recebendo um "auxílio financeiro" para fingir que não tinham visto esse avanço sinistro de casas de prostituição dentro de zonas residênciais. Houve quem argumentasse que as revistas masculinas há muito tempo lançavam mão dessa tática sem que ninguém reclamasse.


De fato isso realmente já ocorria (veja imagem ao lado e abaixo), mas parece que na opinião da coletividade vender "revista de mulher pelada" é menos ofensivo do que "alugar os serviços da mulher pelada".
Discussões filosóficas à parte, o fato é que, desde os fins dos anos 70, estar envolvido em fatos escandalosos passou a ser um possível trampolim para uma carreira artística glamurosa e financeiramente atraente. Uma das portas para a carreira de apresentadora de programas de televisão infantil passou a ser uma certa revista masculina muito famosa a nível mundial. Ficar pelada lá, era quase certeza de uma futura proposta de trabalho interessante. Você lembra de que até as mães das candidatas ao estrelato pressionavam as filhas para "mostrar o material" para os fotógrafos ?


Com a aprovação do "Programa Cidade Limpa" da Prefeitura Municipal de São Paulo, todo esse debate sobre o que pode, ou não pode ser exibido nas vias públicas terminou: agora não pode quase nada, mas...




ficou na minha cabeça a seguinte questão: a nudez como forma de comércio de pessoas e de meio para estimular venda de produtos e serviços diversos é muito explorada e mesmo, tenta se impor, enfrentando a opinião pública e as autoridades.




Enquanto isso, a nudez como aspecto natural do ser humano permanece reprimida e anônima. Me lembrei então de que "o mal aparece, se impõe e conquista adeptos porque é desinibido, descarado, enquanto que o bem é tímido e, pela sua própria humildade, permanece oculto, anônimo, invisível". Lembra aquele ditado: "que sua mão não saiba o que a outra está fazendo" ? Pois é, só a nudez comercial, de intenções egoísticas, carregada de desejo de admiração, elogios, poder, fama, riqueza, lucro e o pior, carregada de apêgo pelo próprio corpo e pelo desejo de conserva-lo para sempre jovem e vigoroso, é que é divulgada.


Você já notou que nenhuma entidade naturista (clube, organização civil, etc) teve iniciativa de publicar anúncios sobre a sua existência e convidar as pessoas a se aproximarem ?
Da mistura de tudo isso dentro da Cidade de São Paulo (arte/cultura, turismo/lazer, Naturismo), surgiu a idéia de contruir este site, que tenta mostrar o quão próximo está o(a) visitante de tudo isso, sem que tenha se dado conta e, pela aproximação da arte com o naturismo, demonstrar que este estilo de vida é bem menos enigmático e estranho do que possa parecer à primeira vista. As tentativas de avanço da "nudez malvada" relatadas anteriormente, serviram de estímulo e inspiração para esta tentativa de divulgação da nudez "do bem", voltada para a valorização do ser humano e de seus mais elevados valores.
A ideia de montar este site é antiga, em meados de 2003 aproximadamente comecei a cogitar de criar uma nova abordagem para o naturismo. Diversos fatores me levaram, em épocas diferentes, a avançar e depois paralisar as atividades. Talvez a única atividade que nunca parou definitvamente foi o registro fotográfico de obras de arte pública e isso porque, levando o projeto a frente ou não, me agradava fazer isso. Era quase um hobbie.
Este projeto me levou a diversos questionamentos, entre eles: Direitos Autorais, Direito de Imagem, dano moral e material, a censura que existe na internet dissimulada ou ostensivamente, problemas e crises do naturismo brasileiro e por aí vai. Cheguei a me perguntar a quem se destinava este projeto e que benefício ele poderia trazer. Será que depois de tanto trabalho com boas intenções eu poderia vir a ser apedrejado por motivos que nunca suspeitaria poder existir ? Talvez fosse melhor engavetar tudo e guardar como coisas pessoais.
Mas de tanto ver na internet (e fora dela, como os outdoors citados acima) baixarias inimagináveis e mesmo, ver sites de swing divulgando o naturismo com ar de seriedade, como opção de lazer de alto nível para casais swingers (e quem sabe, fazer novas amizades "interessantes") eu tomei a decisão: "Ora bolas, vou botar meu projeto no ar também. Quem gostar, gostou, quem não gostar, procure outra coisa na web".

Finalmente, a pergunta que não quer calar: Porque a nudez é tão frequente na arte ?

Conforme já declarei anteriormente, não sou um especialista em arte, portanto, qualquer comentário que faça referente a este intrigante assunto será mera especulação e manifestação de opinião estritamente pessoal, sem valor cultural. Nada melhor então, do que verificar o que os "experts" tem a dizer: