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terça-feira, 9 de novembro de 2010

ERAM OS BANDEIRANTES NATURISTAS ?!?

ERAM OS BANDEIRANTES NATURISTAS ?!?


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Saiba um pouco mais sobre as bandeiras e os bandeirantes



















Ilustração obtida no livro "História do Brasil", edição 1958, da Editora C.E.N. A origem desta ilustração é desconhecida.

Existiram as Entradas e as Bandeiras. As Entradas foram inicialmente expedições militares para conhecer o território, procurando metais, pedras preciosas e índios para escravizar. Geralmente eram de iniciativa das autoridades da época. A primeira entrada foi de Américo Vespúcio, em 1503 com 30 homens que entraram em torno de 40 léguas na altura de Cabo Frio (RJ). Em seguida Martim Afonso de Souza mandou 4 homens explorar o interior a partir do Rio de Janeiro. Eles retornaram 2 meses depois com notícias de ouro e prata. Martim Afonso enviou igualmente uma expedição com 80 homens liderados por Pero Lôbo. Essa expedição nunca mais voltou. Posteriormente seguiu-se as incursões do espanhol Francisco de Espinosa e a de Antônio Dias Adôrno, que afirmou ter encontrado minas de prata.

As Bandeiras dos paulistas desbravaram o sertão e conquistaram o território de Goiás, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e parte de Minas Gerais. As Bandeiras nitidamente violaram o Tratado de Tordesilhas e avançaram sob as terras que pertenceriam à Espanha. Com o Tratado de Madri, em 1750, a Espanha reconhecia essa conquista e o nosso país, que teria 2.875.000 quilômetros quadrados, passou a ter 8.500.000 quilômetros quadrados.

Barra pesada: A ilustração acima retrata Domingos Jorge Velho, conhecido como o "governador do gentio de cabelo escorrido", à frente de uma partida de aventureiros. Ele segura um arcabuz e traz na cintura uma pistola e uma espada.



















Ilustração obtida no livro "História do Brasil", edição 1958, da Editora C.E.N. A origem desta ilustração é desconhecida.

O armamento usado consistia na escopeta (ou arcabuz de pederneira), o terçado e a espada. Foi utilizada também a balestra, também chamada de "besta", que consistia numa mistura de arco e flecha com espingarda. Apesar de mais difícil de usar que um simples arco e flecha, a balestra tem a vantagem de lançar uma flecha mais longe e com maior poder de perfuração. Não subestime este aparente brinquedo: as versões modernas de uso esportivo da balestra podem utilizar inclusive mira telescópica. As provisões que levavam era sal, farinha, rapadura, paçoca e carne-sêca. As Bandeiras retornavam entre 2 e 3 anos depois e era comum os locais onde acampavam para fazer uma roça ou na margem de rios onde garimpavam ouro durante seu percurso, tornaram-se núcleos de povoados. Diversas cidades antigas de Goiás, Mato Grosso e Minas tiveram essa origem.

Principais Bandeirantes: Em 1628, uma grande Bandeira com cerca de 900 mamelucos e 2.200 índios, dirigida por Antônio Raposo Tavares e Manuel Prêto, atacou e destruiu aldeamentos de Guairá, trazendo milhares de índios escravizados. Raposo Tavares avançou de São Paulo ao Rio Grande do Sul , chefiando o auxílio dos Bandeirantes contra os holandese em 1639. Posteriormente avançou a oeste, atravessando o Mato Grosso e pelo Rio Madeira entrou no Amazonas, de onde desceu a corrente do rio até o Pará.

Na ilustração ao lado, Borba Gato assiste à faiscagem de ouro no Rio das Velhas. Usa sobre as vestes um gibão de couro (espécie de "colete à prova de flechas") e carrega uma espada. Os coletes feitos de couro batido reforçado eram uma proteção contra as flechadas dos indígenas. O problema era que, ao ser atingido por uma flecha, muitas vezes não era possível retirar a ponta que se quebrava. Essa ponta, que podia ser feita com pedaços de osso afiado, ficava alojada dentro da vítima, como por exemplo no pulmão, causando uma morte lenta e agoniante. Ao fundo está um homem a manejar a batéia procurando ouro no cascalho do rio e atrás dele um outro homem leva sob a cabeça um calumbé com cascalho para ser lavado.

Outro bandeirante famoso foi Bartolomeu Bueno da Silva que entrou no sertão goiano acompanhado do filho ainda menor. Trouxe muito ouro e índios escravizados. Os indígenas chamavam-no "Anhanguera" (grande diabo), por ter queimado aguardente numa vasilha (fingindo ser água) e ameaçado incendiar todos os rios da região caso não contassem onde estavam as minas das quais estraiam ouro para enfeitar-se com as pepitas.



O mais célebre bandeirante foi Fernão Dias Pais, o "Caçador de esmeraldas" que desbravou o sertão de Minas. Já com avançada idade, partiu Fernão Dias Pais de São Paulo, em 1674, à procura de esmeraldas. Durante sete anos esteve no sertão sofrendo, junto com seus companheiros, grande provações. Faleceu em 1681, enquanto voltava, vítima de febres e imaginando ter encontrado as tão sonhadas esmeraldas. Constatou-se depois que as pedras eram apenas turmalinas, com menor valor, mas a sua expedição conseguiu fazer o reconhecimento de grande parte do rico território das Minas Gerais.

O que era uma bandeira (texto de João Ribeiro): "Como as caravanas do deserto africano, a primeira virtude dos bandeirantes é a resignação, que é quase fatalista, e a sobriedade levada ao extremo. Os que partem não sabem se voltam e não pensam mais em voltar aos lares, o que frequentes vezes sucede. As provisões que levam apenas bastam para o primeiro percurso da jornada; daí por diante, entregue à ventura, tudo é enigmático e desconhecido.

No íntimo das terras marcham como se navegassem através dos mares, com a orientação da bússola e das noites consteladas; aqui e ali seguem o curso dos rios ou os vadeiam. Recolhem por toda parte as lendas e histórias dos índios que falam de outros países distantes e de caminhos ainda não trilhados pela civilização. Se é preciso descer um grande curso d'água, não contam o tempo; aboletam-se e acampam na margem, abatem árvores gigantescas, de cujos troncos e, às vezes, dos córtices forma esquadrilhas de canoas carcomendo-as a fogo.

Nessas bandeiras vemos figurar toda a gente, homens de todas as qualificações, índios de todas as tribos, mulheres, padres e crianças e grande número de animais domésticos, cães, galinhas, carneiros, fora as bestas de carga. É uma cidade que viaja com os seus senhores e seus governados... ".


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